quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Bordeaux - O melhor vinho do mundo. Parte II



A complicada legislação vinícola francesa

Entender a legislação francesa que tem como finalidade mostrar a qualidade dos vinhos não é uma tarefa fácil. Para complicar, cada região vinícola tem a sua classificação própria. De uma maneira geral, quanto mais genérico for o vinho, pior será sua qualidade.

O vinho mais básico da França é vin de table (vinho de mesa). Corresponde a mais de 50% dos vinhos produzidos na França. Esta denominação não mostra no rótulo a região de origem do vinho, nem o vinhedo em que foi produzido. Felizmente são raros em Bordeaux.

O segundo vinho mais genérico é o vin de pays (vinhos regionais). Também têm pouca qualidade, mas já mostra onde ele foi produzido.

O terceiro patamar é o VDQS (vin de qualité supérieur), mas não se iluda, pois em geral, os vinhos desta categoria também são ruins. Mas é preciso conhecê-los para não cair na armadilha da classificação, pois convenhamos, o nome é pomposo!



Passemos aos vinhos de maior qualidade, o que nos interessa. Todos eles terão no rótulo a chamada “apelação de origem controlada” (AOC: appellation d’origine contrôlée). Desta forma, os vinhos oriundos de Bordeaux terão no rótulo: AOC Bordeaux ou “Appellation Bordeaux Contrôlée”. Veja imagem anterior. Em Bordeaux, existe uma categoria uma pouco acima desta, que é a Bordeaux Supérieur. Aqui começa o problema. Centenas de produtores usam estas duas denominações, AOC Bordeaux ou AOC Bordeaux Supérieur, e a qualidade dos vinhos é extremamente heterogênea, existindo uma grande oscilação entre eles.



Uma nota lamentável: os famosos vinhos de Bordeaux representam apenas uma pequena fração de todos os vinhos produzidos na região de Bordeaux.

Como veremos no próximo item, a região vinícola de Bordeaux é dividida em sub-regiões, como a sub-região de Médoc, já citada. Quanto mais restrita for a apelação de origem, melhor tenderá a ser a qualidade do vinho.  Assim, a AOC Médoc tende a ser melhor que a AOC Bordeaux. Por sua vez, o Médoc é subdividido em outras regiões menores.



Não desista. No começo tudo é muito complexo, mas depois acostumamos com as siglas. Vou dar uma pausa na classificação e deixar a legislação específica de Bordeaux um pouco mais para frente. Um breve descanso. Depois de entendermos as sub-regiões e as cepas, voltaremos ao assunto.

As regiões de Bordeaux

Antes de tudo, é preciso ter mente a disposição dos três rios. Veja a foto seguinte do Google Earth. Eles são as referências da região. Posto isso, vamos ao combate:



Médoc e Haut-Médoc

A principal região vinícola de Bordeaux é o Médoc. Uma faixa relativamente estreita de terras, à margem esquerda do grande rio, o Gironde, numa extensão de aproximadamente 80 km, no sentido norte-sul. Ela começa ao norte, junto ao estuário do rio Gironde e termina ao norte da cidade de Bordeaux. Por sua vez, o Médoc é dividido em duas regiões: o Médoc, terço superior ao norte (antigamente denominado de Bas-Médoc), e o Haut-Médoc, ao sul. Mais uma confusão “bordalesa”, dois nomes iguais para regiões distintas. Veja no mapa. 



* Haut-Médoc significa “Alto Médoc”, aspecto relacionado à altitude em comparação ao Bas-Médoc,“Baixo Médoc” ao norte.

O Haut-Médoc, a melhor e mais nobre região de Bordeaux, é dividido em quatro sub-regiões: Saint-Estèphe, Pauillac, Saint-Julien e Margaux, do norte para o sul. Guarde bem estes nomes, pois aqui você terá os melhores vinhos de Bordeaux, mas não todos. Lembre-se que as regiões ficam às margens do rio Gironde – à esquerda!

Entre a sub-região de Margaux, que fica ao norte da cidade de Bordeaux, e a região de Saint Julien, temos duas sub-regiões interessantes: Listrac e, principalmente, Moulis. Ambas são um pouco afastadas das margens do rio Gironde, porém podem produzir bons vinhos e de melhor custo-benefício. Veja no mapa. Por vezes esta região, entre Margaux e Saint Julien, é denominada nos textos de “Médoc Central”.





O Médoc propriamente dito, ou seja, a parte norte (Bas-Médoc), não tem subdivisão, e os vinhos produzidos ali têm menor qualidade.

A maior parte dos vinhos produzidos no Médoc e em Haut-Médoc é de vinhos tintos.

Graves

Situada ao sul da cidade de Bordeaux e às margens do rio Garonne, afluente do Gironde. É uma região muito importante. Alguns vinhos excepcionais de Bordeaux são produzidos ali, como o notório Château Haut-Brion.

Na região de Graves, a proporção entre a produção de vinhos tintos e brancos é semelhante, o que difere de todas as outras regiões de Bordeaux.

Graves, recebe este nome em referência ao solo muito pedregoso da região, legado das geleiras da Idade do Gelo. Há ainda no solo, a presença de minúsculas pedras brancas de quartzo, também oriundo da mesma época.

Para complicar um pouco, é preciso citar que existe uma destacada sub-região em Graves, denominada de Pessac-Léognan, onde são produzidos os melhores vinhos da região, incluindo o famoso Château Haut-Brion (premier cru).



Terminamos aqui a margem esquerda de Bordeaux. Passemos então à margem direita.

Na verdade, as melhores sub-regiões de Bordeaux à direita ficam na margem direita do rio Dordogne, já que na margem direita do rio Gironde, não existe uma sub-região de destaque. Aqui temos duas sub-regiões importantíssimas: Saint- Émilion e Pomerol.



Saint-Émilion

Para mim, o maior destaque da região é a pequena cidade de mesmo nome. Uma pequena vila medieval impecável, charmosa e atraente. Aqui, respiramos vinhos e vinhas o tempo todo. Um passeio imperdível (em breve comentarei um pouco mais sobre a cidade). Nas suas redondezas temos os vinhedos de Saint-Émilion. A região vinícola em si é relativamente grande, e a qualidade dos vinhos é muito heterogênea, o que é um problema. Alguns vinhos produzidos aqui estão entre os melhores da região de Bordeaux. Os vinhos tintos são o destaque da região. Cito cinco Châteaux de renome: Ausone, Pavie, Figeac, Angelus e o mítico Cheval Blanc.

Pomerol

Esta pequena região vinícola de Bordeaux está situada junto à cidade de Saint-Émilion, ao norte. Não há uma divisão clara entre as regiões. Tudo é muito próximo. O destaque aqui é o todo poderoso Château Petrus. Não pelo Château em si, que é muito modesto em comparação aos grandes Châteaux da margem esquerda, mas sim pelo vinho, que é um dos melhores e mais disputados do mundo, e por isso, muito caro. Dois outros vinhos são destaque em Pomerol: o Trotanoy e o Le Pin.

Para finalizar as sub-regiões de Bordeaux, preciso citar a famosa região de Sauternes. Ela fica um pouco mais sul de Graves, ao longo do rio Garonne, e produz o melhor vinho doce do mundo. A produção é quase exclusiva de vinhos brancos doces. Destaque para o famoso Château d’Yquem.

É bom relembrar que a região de Entre- Deux-Mers fica entre os rios menores, o Garonne e o Dordogne. Os vinhos produzidos lá tem menor qualidade, comparados ao Médoc. Destaque para os vinhos brancos desta sub-região de Bordeaux. Porém, aproveito a oportunidade para citar um bom vinho tinto desta sub-região, o Château Carignan, e que tem ótimo custo-benefício.

Existem várias outras sub-regiões, mas de menor importância.

As uvas de Bordeaux



Para a produção dos vinhos tintos, destacamos a cabernet sauvignon, a merlot e a cabernet franc. A petit verdot e a malbec (a mesma cepa plantada na Argentina) desempenham um papel de menor importância.

Para os vinhos brancos as cepas mais importantes são a sauvignon blanc e a sémillon. Esta última é considerada a alma dos vinhos brancos de Bordeaux, conferindo ao vinho uma textura cremosa e um aroma de mel.

Todas estas uvas, brancas e tintas, têm origem na França.

Como já comentado, em Bordeaux, para a produção dos vinhos tintos, sempre temos uma mistura das uvas, em proporções diferentes, com o intuito de maximixar o sabor e corrigir os defeitos de cada cepa.



O chamado corte bordalês é composto de cabernet sauvignon, merlot e cabernet franc. É bom relembrar que em Bordeaux é muito rara a produção de vinhos varietais (de uma uva só), como no Chile.

A cabernet sauvignon dá a estrutura ao vinho, o tanino, enquanto a merlot oferece a fruta, pois ela é mais carnuda e redonda. A cabernet franc traz o aroma. A longevidade dos vinhos de Bordeaux está muito relacionada ao tanino presente na cepa cabernet sauvignon.
No rótulo das garrafas de Bordeaux não temos a indicação da uva, nem a composição das cepas. A presença de cada cepa está subentendida nas diversas regiões de Bordeaux.

Na margem esquerda, no Médoc, a uva preponderante é a cabernet sauvignon (em geral, 40 a 50%). Isto é explicado pela melhor adaptação da cepa ao solo, que tem muito cascalho e boa drenagem, e também ao clima, pela maior exposição solar – aqui os terrenos são planos.

Na região de Graves, ao sul da cidade de Bordeaux, o predomínio de cabernet sauvignon também prevalece, porém em menor grau que no Médoc.

Nas regiões de Pomerol e Saint-Émilion, a uva preponderante é a Merlot, seguida da Cabernet Franc e, em menor quantidade, a cabernet sauvignon. Aqui o solo é um pouco mais argiloso, o que dificulta a drenagem da terra, e o clima é mais ameno, limitando o amadurecimento da cepa cabernet sauvignon, que é mais tardio.

Você pode estar se perguntado sobre a importância dos rios que cortam a região? Basta compreender um velho ditado de Bordeaux: “os melhores vinhedos podem ver o rio”.


Outra curiosidade: apesar da cepa cabernet franc ser minoritária nos cortes bordaleses, o famoso vinho Cheval Blanc, em Saint-Émilion, é composto por cerca de 70% de cabernet franc. Esta cepa também tem muita importância no Vale do Loire, outra importante região vinícola francesa.

MJR

Em breve a Parte III.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Bordeaux – O melhor vinho do mundo. Parte I.



O título pode até parecer exagerado e presunçoso, mas em minha opinião e na de muitos outros enófilos (e enólogos respeitados) esta é uma afirmação consistente, sem muita dúvida. Um verdadeiro consenso! Durante muitos anos refleti e duvidei desta premissa, mas atualmente não tenho a menor dúvida. Talvez a maior prova seja que respeitados produtores mundo afora tentam, sistematicamente, “imitar” o padrão bordalês.  Vários produtores, como na Califórnia, Chile, Espanha e Itália, dentre outros, tentam reproduzir este vinho, alguns com sucesso, outros nem tanto. O motivo principal desta dificuldade é o terroir. Não existe uma tradução literal desta palavra de origem francesa para o português, que, em suma, quer dizer a interação das características do solo, do clima e da exposição solar com a cepa ali plantada.

Um fator que distancia os vinhos produzidos em Bordeaux dos amantes do vinho é o preço, especialmente aqui no Brasil. Uma garrafa simples pode custar muito caro. Os vinhos que são ofertados em supermercados são “refugos” e de péssima qualidade. Assim, é comum ouvirmos: “prefiro os vinhos da América do Sul, pois eles são mais encorpados e frutados”. E comparando vinhos da mesma faixa de preço, essa afirmativa é correta. Os vinhos de Bordeaux negociados aqui no Brasil por menos de 100 reais a garrafa, usualmente são horrorosos, magros, ácidos e sem graça. Os motivos principais do preço alto é a alta carga tributária brasileira, o preço do frete e a majoração feita pelos intermediários, importadores e varejistas. Como os vinhos do Chile e da Argentina chegam ao Brasil praticamente sem impostos (isenção ao Mercosul), usualmente eles são bem mais baratos. Costumo dizer aos meus amigos que pretendem visitar a França, que lá um Bordeaux acima de 20 euros usualmente tem ótima qualidade (pouco mais de 70 reais), mais aqui, no Brasil, esqueça. Se você não pretende pagar um pouco mais por uma garrafa, continue degustando os vinhos dos nossos hermanos.

A ideia de escrever sobre os vinhos de Bordeaux surgiu a partir da minha paixão pela França, da minha preferência por este mítico vinho e dos meus constantes estudos sobre a região. Mas o intuito principal é apresentar a região para aqueles que não conhecem ou ainda carregam algum preconceito sobre o vinho. Pretendo apresentar ao leitor do blog um texto simples e de fácil compreensão, e que realmente possa ser útil na compreensão do assunto e nas futuras degustações.

Não tenho a pretensão de esgotar o tema e nem comentar pormenorizadamente sobre todos os vinhos produzidos ali, mesmo porque não tenho esta competência. A ideia é dar ao leitor um “norte”, indicando os primeiros passos sobre esta fantástica região no sudoeste da França. Vou comentar os seguintes aspectos: a localização; um pouco da história; a complicada legislação francesa; as sub-regiões de Bordeaux; as cepas típicas e o corte bordalês; a classificação de 1855; a importância das safras; as principais cidades da região; os principais produtores e castelos (châteaux); o que visitar na região e como adquirir um bom vinho de Bordeaux. Espero que o conteúdo seja útil para os amantes do vinho!

A Localização.



A “região” de Bordeaux está situada no sudoeste da França, na região administrativa da Aquitânia. As terras estão às margens do imenso rio Gironde (e de seus afluentes), um pouco antes de seu estuário no mediterrâneo. Veja no mapa. Bordeaux é a principal cidade da região, e a mais populosa também.



Um primeiro conceito importante: a região vinícola de Bordeaux é dividida em margem esquerda e margem direita. Os solos, o clima e os vinhos são muito distintos, como comentarei em breve.

O rio Gironde é formado pela confluência de dois rios vindos do sul, o Garonne e o Dordogne, o primeiro mais próximo do mediterrâneo e o segundo mais interiorano. Os três rios formam um “Y” invertido. Assim temos a margem esquerda, a margem direita, e uma terceira região situada entre os dois rios afluentes, denominada pelos franceses de “entre deux-mers” (entre dois mares numa tradução literal – esta terceira região é menos famosa e importante).



A cidade de Bordeaux fica predominantemente na margem esquerda do rio Garonne, antes de sua união com o rio Dordogne.

A região mais famosa e nobre de Bordeaux, o Médoc, situa-se na margem esquerda do grande rio, o Gironde, logo ao norte da cidade de Bordeaux, antes do estuário deste rio. A produção vinícola é quase que exclusiva de vinhos tintos, onde prevalece a cepa carbernet sauvignon.

Mais um conceito importante: quase todos os vinhos da região de Bordeaux são produzidos a partir de uma mistura de uvas (assemblage); raramente são vinhos varietais, isto é, produzidos de uma uva só, como ocorre na Argentina, Chile e Califórnia, dentre outros.

Um pouco de história

Até o século XVII as terras do Médoc eram pantanosas e impróprias à produção agrícola. Engenheiros holandeses foram contratados pela nobreza de Bordeaux para drenar as terras às margens do rio, no intuito de melhorar a qualidade das mesmas. A palavra Bordeaux significa à beira d’água, ou nas bordas das águas (“au bord de l’eaux”).

A partir dos séculos XVII e XVIII a região de Bordeaux começou a se despontar na produção de vinhos de qualidade, facilitada pela proximidade do mediterrâneo e da navegabilidade do Gironde. Os ingleses eram os principais consumidores do vinho local.

No final do século XIX as vinhas de Bordeaux foram devastadas pela filoxera, um pequeno inseto, mas uma grande praga! A região entrou em decadência. A partir do controle da praga com enxertos das vinhas europeias em bacelos americanos, décadas depois, a região voltou a crescer e o vinho a se aprimorar. Mas foi nas últimas décadas que a região e a cidade de Bordeaux evoluíram ainda mais.  O que já era bom ficou ainda melhor!

Bordeaux é a principal e a maior região vinícola do mundo. Veja os números: mais de 900 mil hectares de vinhedos; mais de 7.0 bilhões de garrafas; mais de 8.0 mil châteaux e mais de 13 mil produtores. Os números são realmente impressionantes! Mas tenho uma má notícia: a maior parte dos vinhos produzidos lá tem baixa qualidade. Portanto é preciso entender um pouco sobre a região para selecionar os bons vinhos, caso contrário, pagarás gato por lebre!

MJR

** em breve a Parte II, até lá.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Hostellerie de Levernois (Borgonha, França)




Um pequeno pedaço de paraíso.

O acesso a essa pérola no coração da Borgonha se dá por uma charmosa ville nos arredores da conhecida Beaune. É uma cidade que parou no tempo. Se a visita for em outubro, uma enorme cerejeira em flor saúda o visitante logo na entrada da cidade. Suas ruas calmas são ladeadas por casas desenhadas e cuidadas com profundo esmero. Cada floreira parece ter desabrochado naquele mesmo minuto. A pequena igreja e a prefeitura completam a bucólica preciosidade do lugar.

A entrada do hotel se dá por um lindo portão margeado por roseiras em flor. Uma ponte cruza um riacho de águas calmas que o hóspede recém-chegado acompanha até a entrada da recepção. Um funcionário recebe o visitante e o conduz gentilmente ao quarto na edificação ao lado, por entre alamedas sombreadas por plantas rigorosamente aparadas.

O quarto é uma perfeita combinação da solidez e rusticidade de uma construção antiga, recentemente mobiliada com tal capricho que cada detalhe foi pensado para oferecer o mais profundo conforto.

O cansaço da viagem é facilmente aliviado por uma maravilhosa ducha de águas quentes que cai aos borbotões, deliciando o corpo e lavando a alma. Para os apreciadores, o banheiro dispõe também de uma espaçosa banheira. 

Para receber o entardecer, nada mais agradável do que sentar numa das chaises espalhadas pelo caprichoso jardim francês em boa companhia, ainda que essa seja de apenas um bom livro.

De volta ao quarto, a cama convidativa faz juz ao sono dos anjos. A maciez das plumas dos travesseiros e do rico enxoval de algodão egípcio da mais alta qualidade convida a sonhar...

Não sem antes desfrutar de um maravilhoso jantar no restaurante detentor de uma, mas merecedor de duas ou três estrelas Michelin. Os prazeres gastronômicos começam no entardecer do jardim, onde um lindo mobiliário francês rodeado pelo perfume das lavandas convida a um delicioso Cremant (espumante local). Como boas vindas ao restaurante, o primeiro amuse-bouche é servido ali, em meio ao maravilhoso jardim. Chegando ao restaurante caprichosamente decorado, as delícias se sucedem num ritual rigorosamente planejado por atendentes atenciosos e corteses. 


Após uma repousante noite de sono, o abraço da cama quase não permite que saiamos dela, tal o conforto que oferece. Mas é hora de desfrutar do desjejum, servido numa linda cozinha de fazenda e continuar o passeio pelas maravilhas da Borgonha.

Raquel








sábado, 5 de março de 2016

Jantar com amigos



Receber amigos queridos em casa é sempre uma oportunidade de testar novas receitas e montar nos pratos aquelas novas ideias que nós temos cada vez que se vê um prato de apresentação esmerada, que provoca boas sensações mesmo antes de começar a comer. Além disso, a mesa é o lugar de todos compartilharem experiências, de preferência quando a comida vem acompanhada de grandes vinhos.

Para começar, escolhemos um grupo seleto e uma região vinícola que dispensa comentários: Bordeaux.

Uma mesa bem posta é a melhor forma de dizer sejam bem-vindos! Nessa mesa, apenas sousplats com guardanapos, já que os pratos já viriam montados à francesa. As louças e taças coloridas são sempre muito bonitas na decoração, mas em jantares com pratos montados a louça de uma só cor, seja branca, creme ou preta, ressalta mais as cores e a disposição dos alimentos, resultando numa apresentação muito mais agradável. A louça branca é minha favorita: não tem jeito de errar e você pode variar seus formatos e relevos.



O prato de entrada é o cartão de visita; dessa forma, optamos por montar pequenas entradas bem decoradas dispostas ao longo de um prato grande.



Começando pela parte superior e em sentido horário:
  1. O clássico melão com presunto de Parma; o melão tem que ser de excelente qualidade e no ponto certo de amadurecimento, sendo ideal comprá-lo 3 a 4 dias antes. Enrolado com presunto de Parma pré-cortado bem fino e amarrado com uma ciboulette.
  2. Torrada de pão de forma de leite com cream cheese e carpaccio de salmão decorado com dill.
  3. Queijo brie com geléia de pêras
  4. Caprese de mini tomate italiano com mozzarella de búfala “la bufalina” e pesto de manjericão, decorado com uma folhinha de manjericão.
  5. Torrada de pão de leite com cream cheese com caviar enfeitado com ciboulette. 

O primeiro prato foi um creme de abóbora com bacalhau. O creme de abóbora kabutiá foi refogado na manteiga e cebola e adicionado creme de leite fresco para conferir mais cremosidade. O bacalhau foi grelhado em postas, depois lasqueado em lascas largas e disposto acima do creme. Reguei com azeite extra virgem “Herdade do Esporão” e decorei com um ramo de alecrim.



O segundo prato, um linguine com molho branco de limão siciliano e camarões flambados. Para o molho branco, refoguei cebola na manteiga de leite com sal e adicionei farinha de trigo e creme de leite fresco aos poucos, batendo sempre com um batedor fouet, como num molho bechamel normal. Depois, adicionei suco e raspas de limão siciliano e queijo grana padano ralado. O sal foi corrigido depois de adicionar o queijo. Os camarões foram puxados levemente no azeite e depois flambados no uísque e dispostos sobre a massa, finalizando com pimenta do reino moída na hora, um camarão maior e dois ramos de ciboulette.



O terceiro prato foi uma fraldinha com batatas assadas e cebolas carameladas. Para a fraldinha é necessária uma carne de primeira qualidade completamente limpa. Temperei a carne com sal e pimenta e envolvi em camada espessa de mostarda de Dijon. Então selei o pedaço inteiro de carne na frigideira de cerâmica, um lado de cada vez, e levei ao forno na temperatura de 220º C por cerca de 40 minutos a 1 hora. Para as cebolas carameladas, o mais importante é conseguir mini cebolas bem pequenas. Seu cozimento é bem lento e devem ser preparadas com antecedência. Refoguei manteiga de leite com um pouco de azeite para não queimar a manteiga e depois adicionei as cebolas, temperei com sal e abaixei o fogo para que caramelizassem lentamente. Quando estiverem com uma cor acastanhada, adiciona-se açúcar refinado em mínima quantidade para finalizar a caramelização. As batatas são descascadas e cortadas ao meio no sentido do comprimento e cada metade em 3 ou 4 pedaços de acordo com o tamanho da batata. São dispostas numa assadeira antiaderente de teflon, cerâmica ou aço carbônico e temperadas com sal, pimenta do reino e folhas de alecrim, regadas com azeite e levadas ao forno. A dica maior fica por conta do serviço: para evitar que a carne chegue fria e endurecida na mesa, a ordem de montagem do prato é muito importante: servir no prato primeiro as folhas temperadas, depois as cebolas, depois as batatas; a carne é então fatiada rapidamente e colocada nos pratos.



A sobremesa também foi um clássico: abacaxi grelhado com sorvete de baunilha. Para grelhar o abacaxi, nada é necessário, apenas dispor as fatias numa frigideira antiaderente com um mínimo de manteiga de leite; o próprio açúcar da fruta carameliza. As fatias devem ser dispostas nos pratos e então é colocado o sorvete de baunilha, decorado com canela peneirada e uma folha de hortelã.



Os vinhos foram servidos sem harmonização, às cegas, numa sequência onde as 4 taças com os 4 rótulos estivessem diante de cada um, para facilitar as comparações. O grupo elegeu, quase que por unanimidade, a sequência de qualidade da noite, nesta ordem:





Depois de tantas preciosidades, nada como finalizar com um Porto Tawny Graham 20 anos acompanhando regiamente a sobremesa, e despedir dos amigos esperando um retorno breve...



Raquel




domingo, 1 de novembro de 2015

Dicas: Walt Disney World – Where dreams come true!




Não tive a oportunidade de conhecer a Walt Disney World ainda criança. A minha primeira visita foi à Eurodisney (Paris) em abril de 2008. Foi um passeio rápido, sem os filhos, apenas para “matar” a minha curiosidade. Em 2012 levamos apenas a minha filha mais velha, Ana Paula, pois o Vitor ainda era muito bebê. A viagem foi ótima, mas senti que ainda faltava algo. Desta vez, 2015, não faltou nada. Foram quase duas semanas em Orlando. Um fantástico passeio em família, 24 horas por dia, curtindo a esposa e os filhos.

Tenho viajado para o exterior com frequência nos últimos anos, quase sempre para a Europa na companhia da minha esposa e, por vezes, de alguns grandes amigos. Mas desta vez foi uma viagem especial, talvez a melhor que já fiz. Para quem me conhece pode até parecer contraditório preterir a Europa aos Estados Unidos, mas os parques de Orlando são mágicos. Um sonho: where dreams come true! Encantam todos, dos mais velhos aos pequeninos, sem exceção, posso garantir! As atrações são para todas as idades. A alegria dos meus filhos foi contagiante. Nada comparável. Só de relembrar fico arrepiado. Como foi espetacular. Todos deveriam ter a oportunidade de conhecer a “terra da fantasia”. Já estou pensando e programando a próxima viagem, se o dólar permitir, é claro.

Apesar da pouca experiência nesta região da Flórida, as duas viagens para Orlando me deram certa bagagem para compartilhar algumas boas dicas com os amigos e os leitores do blog. Não tenho pretensão alguma de dissecar o assunto, mas gostaria de colaborar com aqueles que ainda não puderam desfrutar das maravilhas da Disney. Como já dito, os parques são para todas as idades. Não seja preconceituoso. Mas, o passeio acompanhado dos filhos fica muito mais fascinante.

Seguem algumas dicas. Recomendo ainda o livro digital 101 dicas: Disney e Orlando, da autora Ana Novais. Comprei o livro pela internet por 55 reais. O livro é simples e direto. Vale cada centavo. Grandes e valiosas dicas. E melhor, pode ser baixado em qualquer dispositivo móvel.

Aeroporto

O aeroporto internacional de Orlando é muito grande. São dois terminais. As empresas brasileiras, TAM, Gol e Azul estão situadas no Terminal A. Não confunda os terminais e evite desencontros. Para quem precisar pernoitar no aeroporto, existem várias opções de lanchonetes e restaurantes, além de um bom hotel dentro do aeroporto (Hyatt).

Aluguel de carro

A melhor maneira de deslocamento em Orlando é de carro, sem dúvida. O aluguel é fácil e relativamente barato. Nem todas as locadoras estão localizadas dentro do aeroporto, portanto confirme se a locadora escolhida por você tem agência dentro do terminal, evitando traslados desnecessários. No site oficial do aeroporto de Orlando você confere todas as locadoras. Para mais dicas sobre o aluguel de carro no exterior confira o post de novembro de 2014.

Estradas e GPS

As rodovias na região de Orlando são espetaculares. As sinalizações também são excelentes, mas o uso do GPS é mandatório. Para facilitar adquira seu próprio GPS no Brasil a um custo mais baixo que alugar na locadora e insira um mapa atualizado dos Estados Unidos. Não deixe de colocar previamente todos os endereços pretendidos, facilitando a sua vida durante a viagem. Uma dica: ao aproximar-se dos parques, desligue o GPS e siga as placas, pois algumas vezes o GPS pode te levar a um estacionamento diferente, por exemplo, para os funcionários dos parques. Nas imediações dos parques as placas são bem explicativas.

Pedágios

São raros e baratos. Basicamente estão presentes na rodovia de acesso ao aeroporto. Portanto, adquirir o pedágio automático (E-pass) é desnecessário. Se optar por este serviço, faça diretamente na locadora.

Limites de velocidade nas estradas

Siga rigorosamente os limites de velocidade. Lá, as rodovias estão em milhas por hora (cada milha corresponde a 1,6 km). É muito comum a abordagem de viaturas policiais para quem não cumpre as regras. Evite aborrecimentos. Siga rigorosamente os limites. Lembre-se que você não está no Brasil!

Postos de gasolina

Todos os postos de gasolina são self-service, isto é, sem frentista. Você deverá pagar a gasolina antes de abastecer. Para facilitar pague diretamente no caixa em dinheiro. O pagamento automático direto na bomba com o cartão de crédito é permitido, porém contratempos podem ocorrer. Evite-os.

Hotéis

Existe uma infinidade de hotéis, de luxuosos aos mais básicos. Os hotéis exclusivos dos parques são bem procurados. Dica: se você quiser um hotel espetacular, tranquilo e sem o agito dos Hotéis da Disney, sugiro o Waldorf Astoria Orlando. O hotel é fenomenal e muito bem localizado (praticamente dentro do complexo da Disney), porém infelizmente ele é muito caro. Alguns quartos são voltados para a Disney, o que permite a visão dos shows pirotécnicos noturnos. Excelente. A suíte comporta um casal e duas crianças com muito conforto. Tem uma pequena cozinha que permite refeições rápidas, como o café da manhã.



Supermercados

Neles você poderá comprar os produtos básicos para um bom café da manhã e para lanches rápidos, gerando uma boa economia na viagem – o café da manhã nos hotéis costuma ser pago a parte e tem um custo alto. A qualidade dos produtos é muito boa e os preços são camaradas. Desta última vez, usamos a rede de supermercados King, mas existem outras opções.

Ingressos dos parques

Os ingressos são individuais, nominais, intransferíveis e não reembolsáveis. No primeiro dia você deverá informar o nome para cada ingresso, além de tocar a digital na entrada do parque, exceto as crianças pequenas. Nas próximas visitas você apresentará o cartão de acesso de leitura digital e passará a digital novamente.

O preço dos ingressos é muito salgado. Opte por comprá-los em conjunto. Por exemplo, como são 4 parques da Disney, compre todos de uma só vez. E melhor. Opte por comprar para 5 ou 6 dias, pois a diferença de preço é irrisória e você terá a opção de retornar aos parques em outro dia por uma valor muito mais baixo do que a entrada normal. Independente do número de dias comprados, os ingressos são válidos por até 14 dias, contados a partir da primeira entrada.

Sempre é bom lembrar que a Universal tem dois parques (Universal Studios Florida e Island of Adventure) e o grupo Sea World também (Sea World e Bush Gardens). Na verdade, estes grupos têm outros parques (incluindo os aquáticos), porém são menos famosos e não os conheço. Assim, sempre que possível compre os ingressos em conjunto para cada grupo de parques.

Na Universal, como os parques são lado a lado, você poderá comprar o ingresso para apenas um dos parques ou para os dois no mesmo dia, obviamente este último é mais caro. Sugestão: se você pretende visitar a Universal apenas um dia, compre o ingresso válido para os dois parques, caso contrário compre o ingresso para os parques separadamente e faça uma boa economia. Lembrete: existe um recém-inaugurado trenzinho temático (Hogwarts Express) que comunica os dois parques, interligando as áreas do Harry Potter. Particularmente achei o trenzinho muito sem graça, não vale a pena pagar apenas por isso, mas se você tiver o ingresso para os dois parques e as filas estiverem pequenas, comprove o que estou dizendo. O acesso somente é permitido para quem tem o ingresso válido para os dois parques no mesmo dia.

Agora a dica mais valiosa: compre os ingressos no Brasil no site da Decolar (fique tranquilo, não sou sócio da empresa). O preço é bom, você paga em reais, evitando o IOF, e ainda pode parcelar no cartão de crédito, sem juros. Usualmente você receberá o voucher no seu email e deverá trocá-los pelos ingressos na entrada do parque nos guichês de vendas. Simples e sem burocracia. Basta apresentar o “ID” do titular que fez a compra (algum documento com foto, não precisa ser o passaporte).
Você também pode comprar os ingressos nos sites oficiais dos parques ou diretamente na bilheteria dos parques. Esta última opção é a menos recomendada, pois é a mais cara!

Internet nos parques

Todos os parques oferecem o serviço de internet gratuita e de alta velocidade. Basta procurá-las no seu celular. Alguns parques exigem um rápido cadastro e o aceite dos termos de adesão. Tudo muito rápido. A internet será muito útil para o deslocamento dentro dos parques (mapas), checagem do tempo de espera das atrações e também para marcar os Fastpass, que comentarei em breve.
Praticamente, todos os parques têm aplicativos próprios para IOS e Android e que devem ser baixados antes da viagem. Realmente são muito úteis nos parques.

Principais parques

São vários os parques na cidade de Orlando. Todos de fácil acesso pelas rodovias locais, exceto o Bush Gardens, que na verdade fica na cidade de Tampa, cerca de 100 quilômetros de Orlando (uma hora e meia de carro).
Seguem abaixo, breves comentários sobre os parques que nós visitamos. Se você quiser mais detalhes sobre as atrações, acesse o livro que eu recomendei no início. Lá, a autora descreve de maneira pormenorizada todas as atrações dos parques.

Magic Kingdom (MK)

É o pioneiro dos parques, inaugurado em 1971, e o mais procurado por todos. Agrada todas as idades, porém é mais voltado para as crianças menores. Lá, tudo é mágico. O parque é imenso e um dia de visita é insuficiente para conhecer as 6 áreas do parque, mesmo porque está sempre lotado. Já fomos 3 vezes e ainda não conseguimos conhecer todos os brinquedos. Pesquise as atrações do seu interesse e planeje seu roteiro, otimizando sua visita. As atrações imperdíveis são o Big Thunder Mountain Railroad e o Seven Dwarfs Mine Train, que são montanhas-russas não muito radicais, mas velozes, e podem assustar as crianças menores, o Splash Moutain, o Pirates of the Caribbean, entre outros. Não deixe de participar também dos desfiles dos personagens que acontecem algumas vezes no dia (“Parades”). As crianças adoram e é a oportunidade de ver todos os personagens de perto.  



Epcot

Foi o segundo parque construído da Disney. O objetivo original de Walt Disney era mostrar a diversidade dos povos e ao mesmo tempo a integração dos mesmos, além de apresentar as ideias para o futuro da humanidade. Daí, o parque é dividido em duas áreas. A primeira voltada para o futuro, onde você encontrará as principais atrações, além do famoso globo do parque. Na segunda você visitará os pavilhões dos países circundando um grande lago central. Todos os funcionários dos pavilhões são nativos de seus próprios países. É o parque mais cultural e é muito legal. Duas atrações são imperdíveis: o Soarin, um simulador 3D de asa delta, e o Test Track que é um carrinho em alta velocidade (tipo autorama). Atinge 60 milhas por hora, mas não é montanha russa. O Vitor amou e o papai também.



Animal Kingdom

Este parque da Disney é muito bom. Imperdível. Como o próprio nome diz, o parque é voltado para os animais. O safári (Kilimanjaro) é a atração principal, onde você fará um passeio de caminhão dentro de uma savana africana com os animais livres. Outra atração é o Everest, uma montanha russa temática e radical, mas sem looping (apesar do medo, a Ana Paula adorou). Entre outras atrações, temos o teatro do Nemo e o cine 3D  It’s tought to be a bug (“como é difícil ser um inseto”). Este último é baseado nos personagens do filme “vida de inseto” e é muito bom, mas o Vitor ficou com medo das aranhas que descem do teto e não quis ir novamente. Mas vale a pena. É muito bem feito.



Holywood

É o menor dos parques da Disney, mas muito divertido e voltado para o cinema. Principais atrações: o Toy Story 3D que é um circuito de carrinho onde você ganha pontos atirando em alvos; e acreditem, a Raquel adorou e repetiu a dose enfrentando as  filas gigantescas, a Rock’n Roller Coaster Aerosmith, que é  uma montanha russa em alta velocidade e no escuro, espetacular, vai de 0 a 100 km em 2.8 segundos: apesar do medo, a Ana Paula adorou, a Star Tours, simulador 3D no espaço: muito legal, e a Tower of Terror que é um elevador que despenca do décimo terceiro andar e no escuro: infelizmente não fomos. Além de outras atrações, você encontrará vários shows ao vivo com destaque para o espetáculo do Indiana Jones.



Sea World

Talvez um dos parques mais interessantes de Orlando. Uma mescla de natureza, aventuras e shows ao vivo. A visita é obrigatória. Destaco o show dos golfinhos e principalmente o das baleias (Shamu). Confira os horários na entrada do parque e programe seu dia. As montanhas russas também são imperdíveis e radicais. A Manta é fenomenal, você vai de barriga para baixo, e a Kraken é muito alta e veloz (umas das melhores que já fui). Não satisfeitos, os administradores do parque vão inaugurar em 2016 a Mako, que será a montanha russa mais alta, mais veloz e mais extensa dos Estados Unidos.  O projeto é fantástico.



Busch Gardens

É o mais distante dos parques, como já comentado. Basicamente temos dois tipos de atrações. As famosas montanhas-russas radicais e a visita aos animais do parque. Apesar de gostar muito das coasters, achei que a visita ao parque não vale a pena por ser muito longe, cerca de 3 horas, ida e volta. A parte dos animais é suprida pelo Animal Kingdom – Kilimanjaro. Contudo, para os amantes de montanhas-russas radicais, a visita é obrigatória. A montanha russa Cheeta é muita rápida: adrenalina total. Adorei!



Legoland

Este parque está localizado há 45 minutos de Orlando. Ele é mais recomendado para as crianças pequenas, até 12 anos. Os pequeninos adoram e os pais também. Existe uma área central com miniaturas das principais cidades americanas montadas em Lego. Apaixonante. O Vitor ficou em êxtase! Existem várias outras atrações. É o maior parque da Lego no mundo.



Universal

Os parques da Universal são voltados principalmente para os adultos, adolescentes e crianças maiores. Os dois parques são belos e muito divertidos, e a visita é obrigatória. Se você puder visite-os em dois dias, pois são inúmeras as atrações. Veja os destaques de cada parque:



Universal Studios Florida

Hollywwod Rip Ride Rockit
– a montanha russa mais radical que já fui. A subida é em 180 graus e a descida é ainda mais assustadora, mas vale a pena o sofrimento. Detalhe: você pode escolher a música personalizada do percurso e todo o passeio é gravado em vídeo. Depois do brinquedo, confira seu vídeo, que com certeza mostrará o terror estampado em suas expressões faciais! Curiosidade: uma menininha de 8 anos foi do meu lado. Ela ficou radiante em todo o percurso, como se estivesse num carrossel, enquanto o marmanjo aqui rezando de medo (para não falar outra coisa).

Transformers 3D
– um simulador fenomenal. Imperdível. Com certeza não é indicado para as crianças menores por conter “cenas de violência”.

Revenge of the mumy
– uma montanha russa no escuro, repleta de efeitos especiais. Muito legal.

Shrek 4D
– um filme 4D muito bem feito e divertido. As cadeiras se mexem. Vale a pena. Todos gostaram.

E.T
– meio sem graça, mas as crianças gostaram. Não tem filas.
Minions (Despicable Me). É uma das principais atrações do parque, porém nas duas vezes que tentamos entrar não conseguimos, em virtude de problemas técnicos no brinquedo.

Harry Potter: Beco diagonal  (Diagon Alley) –
recém-inaugurado, o lugar ficou muito bem feito. Vale a visita, especialmente para os amantes da série.  Além disso, você tem um simulador 3D num carrinho (parece uma montanha russa), muito legal, porém a fila é extensa (Harry Potter and the Escape from Gringots).

Universal – Island of the adventure

Área do Harry Potter
– É a parte mais visitada do parque: sempre cheia. Destaca-se a arquitetura do local, o simulador 3D Harry Potter and the Forbidden Journey e as montanhas russas entrelaçadas: Dragon Challenge. Existe ainda uma montanha russa infantil – Flight of the Hippogriff – que os meninos gostaram muito.

Incredible Hulk
– Para mim a melhor montanha russa de Orlando. Rápida e muito divertida. Infelizmente ela estava em reforma neste ano para ampliação. Voltará em 2016.

Spiderman – um simulador 3D imperdível. Extremamente realista. Os meninos (e os adultos) adoram. Vale a pena conferir.

Evitando filas

Dependendo da época em que você visitar os parques de Orlando, as filas serão inevitáveis, o que não deixa de ser muito desagradável. Mesmo em épocas de baixa temporada, as filas são corriqueiras. O que fazer? Nos parques da Disney (Magic Kingdom, Epcot, Animal Kingdom e Hollywood Studios), a empresa oferece um acesso rápido e gratuito às atrações, chamado de Fastpass.

O sistema é muito simples e atualmente, em 2015, tudo é feito pela internet. Primeiro você deverá fazer o download do aplicativo da Disney World com antecedência e fazer um breve cadastro (basta um cadastro por família). Depois, diante dos ingressos, você deverá inserir a sequência de números (e letras) e cadastrar cada viajante do grupo com o nome e o número do ingresso. Após estes passos, siga as instruções do aplicativo. É muito fácil.

Você tem o direito de reservar até três Fastpass para cada dia de parque por pessoa. Evite reservar em cima da hora, pois poderá haver limitação das atrações e dos horários. O ideal é fazê-lo com alguns dias de antecedência. A Disney permite o agendamento com até 30 dias de antecedência para os clientes que estão hospedados fora do complexo e 60 dias para os hóspedes da Disney. Mais uma dica: após o uso dos três Fastpass você poderá solicitar mais um, porém agora somente dentro do parque, nos quiosques denominados Fastpass+.

Nos outros parques também existem os acessos rápidos, porém são pagos, e por vezes caros. Exemplo: o Universal Express. Você adquire para um único dia e é individual. O valor varia de acordo com a lotação do parque. Nesta última vez paguei a “bagatela” de 74 dólares por ingresso. Assim, o melhor é evitá-lo. Ele realmente vale a pena para quem pretende e gosta das atrações mais requisitadas, como exemplo, as montanhas-russas e os simuladores 3D. Nos demais casos, eu recomendo enfrentar as filas que usualmente são toleráveis, exceto em alta temporada.

Mais uma dica: o Universal Express também pode ser adquirido dentro parque. Assim, você pode checar a necessidade de comprá-lo ou não. Existem dois tipos de ingressos, o que permite acesso ilimitado aos brinquedos (unlimited), mais caro, e aquele que permite o acesso único a cada brinquedo. Por último, cada ingresso Universal Express somente é válido para apenas um dos parques, ou Universal Studios ou no Island Of Adventure. Se você quiser a entrada rápida para os dois parques você deverá comprá-los separadamente. Portanto, o valor é muito caro! E outra: ele não é válido nas atrações do Harry Potter, as mais concorridas!

Parques aquáticos   

São vários os parques aquáticos na cidade de Orlando, porém não posso recomendá-los, pois não os visitei. Faltou tempo (e não vontade).

Shows pirotécnicos

Praticamente todos os parques oferecem shows pirotécnicos noturnos. Os mais famosos são os do MK, Whishes, e do Epcot Illuminations. Já fomos aos dois, mas gostamos mais do show no Epcot que acontece diariamente às 21 horas no encerramento das atividades. A melhor visão é circundando o lago, porém é lotado. Sugiro reservar uma mesa com antecedência no restaurante Rose and Crown, no Pavilhão da Inglaterra. A visão é maravilhosa, a comida é razoável e não é muito caro.

Disney Springs

Antigamente denominado de Downtown Disney – confesso que não sei por qual motivo o nome foi alterado. Muita gente ainda conhece e chama o local pelo nome antigo. É o “bairro noturno” da Disney. Restaurantes temáticos, bares, lojas e um longo calçadão. Sempre é muito cheio. As crianças adoram. Eu particularmente não curto muito, mas faz parte do passeio. Importante: os principais restaurantes fecham às 23 horas.

Cirque de Soleil

Passeio obrigatório. O espetáculo exclusivo para a Disney, La Nouba, é imperdível. O show acontece duas vezes ao dia, com sessões as 18 e 21 horas, de terça a sábado. Apesar de caro, vale a pena. O espetáculo é lindo e muito dinâmico. Indescritível. Duas dicas: existem 6 categorias de ingressos: opte pela categoria de cor vermelha, pois os preços são mais camaradas e a visão é espetacular. Caso queira descontos especiais compre no dia do espetáculo, pois o circo oferece entradas com desconto no guichê “tickets on sale”.

Fogo de Chão

Para quem gosta de uma boa comida, como eu, decididamente você não encontrará nos parques e nem em Downtown. Em minha opinião os fast-foods americanos são terríveis. Uma maneira de comer bem (e matar a saudade da comida brasileira) é jantar na churrascaria Fogo de Chão. Não é muito caro, para o padrão americano, e o restaurante tem ótimo nível. Oferece uma boa carta de vinhos e um excelente atendimento. Quase todos os garçons são brasileiros. Sempre vamos lá no mínimo duas noites por viagem!

Total Wine

Falando em vinho, tenho uma ótima dica para os amantes desta fantástica bebida. A loja Total Wine (fica perto da Universal) oferece ótimos rótulos e os preços são bem convidativos, mesmo com a recente alta do dólar. Sempre é bom lembrar que o limite permitido por pessoa para entrada no Brasil é de 12 litros e 500 dólares para cada um.

Final

Espero que eu possa ter contribuído de alguma forma com sua futura viagem para o mundo mágico de Walt Disney. Se você estiver com a viagem programada não deixe de ler o livro que eu recomendei no começo deste texto. Boa viagem e aproveitem os bons momentos em família.


MJR e família

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Restaurante Maní – São Paulo, SP



Sofisticação com simplicidade: parece paradoxal? Não para os chefs Helena Rizzo e Daniel Redondo, à frente da cozinha no Maní. O orgulhoso casal comemora sua primeira estrela Michelin já na edição inaugural do respeitado guia no Brasil. A casa foi concebida em estilo rústico e abusa do branco e do minimalismo; seu pessoal recebe todos os visitantes de maneira notavelmente calorosa. O objetivo é um só: proporcionar ao público uma experiência gastronômica única, onde a altíssima qualidade da comida e dos serviços não produziram nos funcionários o grave defeito tão comumente encontrado nesses ambientes: a afetação. Essa palavra não tem lugar no Maní, onde tudo é descontraído, e é assim que eles nos fazem sentir: bem-vindos!



A gaúcha Helena Rizzo trabalhou como modelo e chegou a cursar a faculdade de arquitetura, mas foi na gastronomia que viu seu talento florescer. Estagiou com renomados mestres da culinária como Claude Troisgros e Emmanuel Bassoleil antes de ganhar o mundo e trabalhar na Itália até chegar ao célebre El Cellar de Can Roca, restaurante catalão sediado na pequena cidade de Girona, ao norte de Barcelona. O El Cellar possuiu em suas credenciais nada menos do que três estrelas Michelin, além de deter o título de “World’s Best Restaurant” atribuído pela respeitada revista inglesa, “Restaurant Magazine”. Em meio às panelas, o lugar foi perfeito para conhecer seu atual marido e sócio, Daniel Redondo. O tímido e tatuado catalão iniciou sua carreira como aprendiz de cozinha aos 15 anos de idade, na casa dos proprietários do El Cellar, a família Roca, tradicionais donos de uma pousada local, e ali foi galgando postos na cozinha do recém-criado restaurante, onde se tornou, nada menos, do que chef de cozinha. De lá partiram juntos em direção a São Paulo, onde fundaram em 2006 o Maní Manioca, estranho nome indígena da deusa da mandioca. Desde então não pararam de crescer e colecionar prêmios: Helena foi eleita “World’s Best Female Chef” em 2014, e o restaurante, recentemente agraciado com uma estrela Michelin, já figura como um dos 50 melhores do mundo pela “Restaurant Magazine”.



Tudo isso ainda é pouco para qualificar tamanha inventividade culinária. Os 70 felizardos que compartilham uma mesa na noite do Maní vêem passam por seus pratos ingredientes tão brasileiros como tucupi, banana da terra, pupunha, maracujá e, como não podia deixar de ser, a mandioca. A mandioca, estrela da casa, está desde o bolinho frito e empanado e o biscoito gigante de polvilho da entrada, até nas pequenas pérolas que flutuam no molho de tucupi. Mais gourmet, impossível!

Até o ovo ganha ares de estrela na cozinha do Maní: o ovo no Maní é um verdadeiro primor! A mais famosa entrada do restaurante é produto do cozimento de um simples ovo por três horas a uma temperatura constante de 63ºC, até que a clara e a gema adquiram consistência idêntica, macios e em estado sólido, mantendo suas características de cor e paladar. Regado com espuma de pupunha, o ovo do Maní é inigualável!


O menu degustação de 10 pratos desafia os mais experientes paladares e oferece uma sequência de sabores que é um verdadeiro deleite! Vieiras, lulas, peixe fresco, mandioca, ovo, pupunha, tutano e bochecha de boi vão desfilando pelo seu prato. Terminados os pratos salgados, um refrescante e inacreditável sorbet de pepino anuncia a sobremesa. Depois de tudo...apenas um café...isso é tudo que você vai conseguir comer.

Como se não bastassem as qualidades, vamos fazer um aparte para os vinhos. Esqueça sua imagem de sommelier como um profissional pretensioso e afetado que se julga melhor que você apenas porque entende de vinhos. E nem sempre entende, simplesmente o convence a escolher os rótulos mais caros, nem sempre os melhores. O maestro à frente da adega do Maní é Felipe Barreto, a própria imagem da simplicidade. Culto e viajado, é um profundo conhecedor e sempre prioriza em suas harmonizações, vinhos de regiões pouco conhecidas, até mesmo os nacionais. São rótulos de preço bem mais acessível e de qualidade surpreendente, como os tintos da região de Toro, na Espanha, recém incluída nas regiões vinícolas e que vem se despontando com excelência. Palavras de Felipe: “prove esse vinho com humildade, sem preconceito, você vai se surpreender”! 


Raquel Eckert Montandon